Pegue um livro qualquer da sua estante e observe-o. Para qual lado está o texto? Virado à esquerda ou virado à direita?
Pois é, aposto que poucos de vocês já pensaram nisso alguma vez. Quando projetamos um livro, o título na lombada (quando esse existe) é uma das últimas coisas que fazemos na capa. E o que você costuma fazer? Direita ou esquerda?
E, sendo lá qual for a sua escolha, porque a fez? Fica visualmente mais bonito? Achou mais confortável aos olhos? Priorizou a prateleira ou a mesa? HEIN?
Exato. Quando você escolhe a direção para onde aponta o título, está priorizando a leitura do livro sobre uma mesa ou na prateleira. Na verdade, para mostrar como isso é mais complexo ainda, posso dizer que quando deixamos os pés da letra virados para a capa, seguimos o modelo europeu; quando do contrário, o modelo é o americano. Vejam as imagens abaixo:


Crédito dos gráficos: Designers Justiceiros (http://designersjusticeiros.blogspot.com/2007/07/sobre-pan-logomarcas-e-lombadas-uma.html)
Aqui alguns exemplos aplicados:

Você tem que entortar a cabeça para ler o “Graphis Design”, não é mesmo?

Já na mesa, ele fica bem mais simples…
Assim fica mais simples de entender, né? Veja como no modelo americano fica muito mais fácil de ler a lombada do livro com este sobre a mesa, e como fica estranho lê-lo em uma prateleira. Já no modelo europeu, percebemos que é bem mais simples ler o título na lombada quando ele está na prateleira. Pelo que eu pude notar em minha biblioteca, os brasileiros tendem a utilizar mais o modelo europeu.
Viu? Cultura rapidinha, resposta bem resolvida. Agora, fica outra pergunta: tudo isso significaria que europeus compram e colecionam mais livros, ou que americanos lêem mais?



Poxa, perdeu aposta! rs É a coisa que eu mais penso, ou quando estou numa livraria ou quando vou organizar os meus na estante! E na hora de inserir alguma lombada, então? É uma tortura.
Mas, ao meu ver, a leitura no sentido europeu (aprendi agora) deveria ter prioridade. Muito embora existam os casos de arquivos empilhados horizontalmente (americano) – desconsideremos os livros displicentemente jogados sobre a mesa – a forma vertical de arquivo é mais comum.
Alguém tem alguma pesquisa que reforçe isso?
Pois é, essa foi uma informação que eu encontrei nesse blog, mas em lugar nenhum! Pelo menos não na internet.
Preciso pesquisar nos meus livros, pois pouca gente fala sobre a lombada.
Eu também prefiro priorizar o modelo europeu, porque na maioria das vezes os livros deveriam estar em ordem, nas prateleiras. E ter que ficar torcendo pescoço pra ver o nome é uma droga.
Obrigada por acompanhar o blog!
Oi Stella,
Você pode encontrar abordagens sobre lombadas e posicionamentos dos textos na mesma em alguns livros sobre design de livros. Um deles é do Andrew Haslam, O livro e o designer II, edição de 2007. Tente também O design do livro, do Richard Hendel, é um clássico. Este é um assunto bastante discutido e controverso.
Abraços.
A ABNT “recomenda” o modelo europeu. Há documentação sobre isso.
Por outro lado, eu também já notei que algumas livrarias se preocuparam em dispor seus livros da mesma forma na estante, independentemente de como foram projetados inicialmente. Ninguém quer ganhar um torcicolo de brinde na compra de um livro, né?
Denise e Valdemar,
Muito obrigada pelo retorno e pelas sugestões.
@Denise: Eu tenho os dois livros que você me recomendou, mas ainda não cheguei no final do “O livro e o designer II”, infelizmente. O do Hendel eu li, mas não encontrei nada substancial.
O que vale é juntar a sua dica com a do Valdemar, e criar uma opinião para o Brasil.
Se está escrito na ABNT que o modelo europeu é o que vale, então está decidido.
Obvimente, dependendo do projeto gráfico feito pelo designer, isso pode ser modificado. Mas, quando o importante for mesmo o conforto dos leitores que procuram livros em prateleiras, então é melhor não inventar muito.
Além disso, dependendo do nome e da fonte utilizada, é possível até mesmo escrever o nome em pé, acabando com qualquer dúvida!
Obrigada!
Adorei o post
Confirmei. Houve reformulação da norma que comentei.
Atualmente, vale a norma NBR 12225, que, lamentavelmente, nem faz referência ao modelo europeu (que prefiro).
Ui lindinha da minha vida!
Eu gosto mesmo é do que está dentro do livro!
Capa é bacana e tal mas se tiver todas as páginas e não for tomo 1…tá valendo!
Mm
Nossa, adorei o post
Esclarecedor, sempre achei que a escolha das lombadas fosse livre..
@Valdemar
Infelizmente o ABNT é um pouco confuso, mesmo.
Mas acho que vai do bom senso do designer, editor, editora, etc…
Pesquisas de usuário, para saber onde eles deixam mais os seus livros, também é importante.
Sábia decisão de dispôr os livros sempre na mesma direção. Uma normatização seria bom para evitar que alguns livros fossem arquivados de ponta cabeça nas lojas.
Não sei se há consenso sobre o assunto… percebo a leitura de cima para baixo como a mais automática e que não dificulta a leitura quando o impresso está deitado. Então, priorizo o modelo que você chama de americano. Um rápido olhar para a estante e vejo que a maioria das publicações que tenho aqui estão nesse sistema – nacionais, norte-americanas e européias – mas a ADG, em sua antiga revista, usa o modelo europeu. Não estou bem certa desta classificação de modelos.
É verdade. Agora lembrei porquê é tão chato decidir isso, as poucas vezes que precisei identificar lombadas em projeto. Pensando melhor, o formato europeu, embora seja o mais adequado pra armazenagem vertical (tendo em vista que estamos aceitando a leitura verticalizada ascendente como a mais assertiva), o americano, embora psicologicamente “caído”, serve bem às duas funções… Eita dilema!
E pra piorar, tem outras mídias, como CD e DVD pra complicar as opções! rs
Muito legal o post!!!
Irene
oi, passei pra conhecer seu blog, e desejar bom dia
bjss
aguardo sua visita
obrigada por comentar, sempre me perguntei isso qdo via livros expostos… aliás, a falta de padronização se torna um problema, porque a gente precisa ficar virando a cabeça pra lá e pra cá qdo está em uma livraria.