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Arquivo da categoria: design do livro

Como os livros eram feitos em 1947

Um procedimento incrível, que exigia muita organização e atenção. Reclamamos hoje em dia da dificuldade de alguns processos, quando nessa época era muito pior!

Reparem também em que parte do processo fica o diagramador. Nada do conforto da cadeira na editora ou em casa, como freelancer. Era mão na graxa! De pé, montando as linhas do livro no linotipo. Sujando e endurecendo a mão, pra deixar tudo bonitinho. E não tinha muita frescura de diminuir espaçamento, kernel, etc… é muito interessante notar as diferenças daquela época para hoje.

Aproveitem:

 
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Publicado por em julho 18, 2011 em design do livro, o livro

 

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Cursos da Universidade do Livro

AÇÕES INOVADORAS DIGITAIS NO NEGÓCIO EDITORIAL

Carga Horária: 6 horas
Data: 04 a 05 de julho de 2011
Horário: 18h as 21h

Conteúdo
A crescente penetração das tecnologias digitais em todos os âmbitos da vida humana na última década tem causado transformações sociais sem precedentes na nossa história que afetam todas as áreas do conhecimento. O negócio editorial não é exceção. O ambiente hiper conectado e informacional que a internet e os dispositivos móveis nos oferecem trazem inúmeras novas oportunidades para oferecer conteúdos adequados aos diversos públicos nesse novo cenário. No entanto, o novo contexto também traz novos desafios que precisam ser considerados na atuação nesse mercado em transformação. O jogo mudou e é necessário conhecer as novas regras para participar. Esse curso visa familiarizar o participante com o cenário digital atual e as tecnologias emergentes que afetam o negócio editorial, bem como discutir o futuro desse mercado e estratégias de negócio nesse novo contexto digital. Para tanto, serão apresentados conceitos e fenômenos relacionados à transformação digital do mercado bem como cases ilustrativos com ações inovadoras usando tecnologias digitais.

Mais informações nesse link.

PRODUÇÃO GRÁFICA EDITORIAL

Carga Horária: 15 horas
Data: 11 a 15 de julho de 2011
Horário: 18h as 21h

Conteúdo
A anatomia do livro. O processo de produção, suas variáveis e mecanismos de controle. A pré-impressão – texto e imagem; fotografia, ilustração, softwares de editoração eletrônica e tratamento de imagens. Fotolitos e provas, sistemas analógico e digital (ctp/dtp). A impressão: sistemas, papéis e tintas de impressão. Impressão em baixas tiragens (on demand). O acabamento: formatos, montagem dos cadernos, colecionamento e encadernação, acabamentos especiais. Critérios para avaliação da qualidade do produto. Critérios de escolha de fornecedores de material e serviços gráficos. Estudo de casos.

Mais informações nesse link.

O ‘PASSO A PASSO’ DA PRODUÇÃO EDITORIAL: ACOMPANHAMENTO DOS TRABALHOS DE EDIÇÃO DO LIVRO

Carga Horária: 9 horas
Data: 19 a 21 de julho de 2011
Horário: 18h as 21h

Conteúdo
1. Como funciona uma editora e como o trabalho de produção editorial se encaixa no fluxo de produção:

  1. visão geral;
  2. o relacionamento entre os vários departamentos (exemplo de como um livro caminha dentro de uma editora);
  3. responsabilidade da produção (conferência da qualidade do trabalho, esforço para cumprimento dos prazos, obediência às normas da editora/editorial, contratação de frilas, acompanhamento dos frilas ou funcionários);
  4. o que não é responsabilidade da produção editorial.

2. Os diferentes trabalhos sob responsabilidade da produção editorial:

  1. trabalhos extra-texto: capa, contracapa, orelha, folhas de rosto, ficha catalográfica, ISBN (a quem e quando requisitá-los, como aprová-los);
  2. trabalhos com o texto: explicação de cada um, quando é necessário e quando é dispensável, o que é preciso atentar, que tipo de qualidade o profissional precisa ter para executar cada um;
  3. exemplos das intervenções esperadas em cada tipo de trabalho de texto (edição, normalização, padronização, revisão de tradução, preparação, primeira prova, segunda prova);
  4. exercícios rápidos para fazer em classe.

3. Como passar trabalhos para profissionais:

  1. como selecionar frilas (indicadores de qualidade, experiência, adequação) e como evitar escolhas problemáticas (testes, indicações);
  2. como dar instruções para o trabalho (nível de intervenção, exemplos do que se espera, prazo, folha de dúvidas, quando consultar autor/editor/produtor);
  3. como acompanhar o trabalho (programação de prazo, telefonemas ou verificação com funcionário, teste de um capítulo);
  4. como verificar um trabalho feito;
  5. principais problemas ao lidar com frilas (sinais de alerta, soluções);
  6. principais problemas ao lidar com uma equipe interna;
  7. procedimentos gerais para garantir um fluxo tranquilo.

Mais informações nesse link.

Informações:

Fundação Editora da Unesp.
Praça da Sé, 108 – Centro – São Paulo – SP
CEP: 01001-900
Tel.: (11) 3242-9555 | Fax: (11) 3242-9613
unil@editora.unesp.br
www.editoraunesp.com.br
 

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Dicas rápidas para a produção de capas

Ultimamente tenho trabalhado muito com capas para as editoras Simplíssimo e Novo Século.

E como tive que produzir muitas capas, acompanhei um rápido workshop no site Lynda.com sobre a produção dessa parte tão importante do livro. O curso em si não adicionou muito em matéria de técnica, mas ensinou um workflow que me pareceu ideal. Vamos falar dele aqui, e eu complemento com algumas dicas para a produção de capas de eBooks.

1. Faça um mapa mental

Uma tática que poucos utilizam. Você pode fazer manualmente ou contar com algum software ou site que produza mapas mentais (os chamados mind maps). É sempre útil e ajuda a colocar suas ideias no lugar logo de início. Pegue o briefing e vá escrevendo tudo o que vier à mente, ligando os balões quando algo puder ser unido em “times”. Se você tiver que fazer uma capa sobre uma fábrica de carros, por exemplo, pode colocar palavras como “trabalhador”, “chão de fábrica”, “Henry Ford”, “carro”, “pneus”, “lataria”, “cromado”, e por aí vai… isso vai ajudar a te dar direcionamento.

2. Pesquise

Todo bom designer que se preze faz pesquisa visual ou conceitual antes de começar algum trabalho. O livro é sobre vida marinha? Então procure referências, junte imagens, fotos, ilustrações, capas de outras publicações no mesmo estilo, etc. Procure desse jeito:

  • Em livrarias ou sebos. Tire fotos ou anote o nome dos livros cujas capas podem ser úteis para pesquisa visual;
  • É uma reedição? Uma publicação gringa? Pesquise outras capas do mesmo título (veja que interessante aqui);
  • Busque em sites de imagens (iStock Photos, SXC.hu, Flickr) imagens que inspirem, que tenham o mesmo assunto;
  • Dê uma olhada em sites que discorrem sobre capas (aqui, aqui, aqui e aqui);
  • Pesquise em catálogos de editoras ou em livros específicos sobre o assunto (como esse, esse e esse).

3. Rascunhe

Largue o mouse ou a tablet nesse momento. Pegue aqueles objetos estranhos com os quais você não convive chamados papel e lápis e comece a desenhar um pouco. Rascunhe tudo o que vier à cabeça. Às vezes você descobre um layout que não descobriria fazendo tudo direto no computador ou percebe que um layout que levaria 3 horas para ficar pronto não “ornaria” corretamente só de desenhar no papel. Fique perto do resultado da sua pesquisa e se inspire!

4. Monte o arquivo no seu software preferido

Tanto faz se é no Photoshop, no InDesign, no Illustrator, no Paint ou no Quark (eca). Agora é a hora de você colocar tudo o que imaginou e rascunhou no computador. Teste as imagens que você pegou, coloque alguns inícios de ilustras, teste fontes, tamanhos e diagramações.

5. Quatro jeitos de fazer uma capa

Pode variar, mas basicamente encontramos nas livrarias, lojas e sebos esses tipos de capas a seguir:

  • Big Book Look – Grandes letras e pequenas imagens ou ícones;
  • Tipográfico – Onde as letras são prioridade e dão a cara da capa;
  • Abstrato – O céu é o limite. Imagens desfocadas, várias camadas no Phtoshop…;
  • Ilustração – Fotos, ilustrações e qualquer outra imagem que sejam o astro da capa.

Muda alguma coisa quando o assunto são os eBooks?

Ah, sim, muda. Quando falamos em eBooks temos que lembrar alguns itens importantes:

  • Não há lombada, contracapa e nem orelha;
  • Você não pode contar com acabamentos (verniz, hot stamping) para dar aquele “up” na coisa;
  • O eBook será visto em uma pequenina prateleira virtual em muitos sites e aplicativos.
  • No mundo digital a questão de “compatibilidade” é muito importante. Sua capa poderá ser visualizada em vários dispositivos, sejam eles iPads, eReaders, computadores e até celulares. Sua capa é boa para todos esses meios?

Por isso, pensar em capas para eBooks pode até seguir os mesmos passos que eu citei acima, mas é sempre bom levar em consideração essas dicas:

  • Use uma fonte em tamanho grande e de leitura agradável, já que a capa será minúscula no site ou aplicativos;
  • Lembre-se que algumas plataformas possuem tela em preto-e-branco;
  • Priorize o título e o autor (quando possível);
  • Cuidado com o fundo, a imagem ou a ilustração. Se ficar muito poluído, ninguém enxerga nada.

Veja alguns exemplos de capas para eBooks:

Aproveite essas dicas e trabalhe para termos produtos cada vez mais bonitos nas prateleiras, sejam elas físicas ou virtuais!

 
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Publicado por em abril 5, 2011 em capas, design do livro, editoração

 

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Content is the king: aprendendo com webdesigners

Pode confessar: eu sei que você tem um pouco de preconceito daquele seu primo que é webdesigner. Você, como designer gráfico ou designer de livros, se acha muito mais designer por ter que pensar em coisas mais “artísticas”, em papéis, acabamentos, tintas, tons, etc. É muito mais tradicional, muito mais puro, muito mais clássico. Pouco interessa quem é o autor do texto que irá caber nas páginas perfeitas que você irá moldar. O que importa é a arte, o cheiro, o ambiente, tudo, menos o conteúdo.

Só que agora você está olhando arregalado para o trem que vem vindo em sua direção, o livro eletrônico. Ele ainda não assusta tanto assim, mas as pessoas têm falado dele mais do que você gostaria. E, de repente, a cadeira em que você está sentado parece um pouco desconfortável. O desconhecido assusta todo mundo, e você não sabe bem o que é um livro eletrônico e nem como ele é produzido. Como assim um mesmo arquivo de livro tem que caber em uma tela colorida de toque com 3 polegadas e em uma preta e branca, fosca, de 6 polegadas? Não existe rodapé? Podemos aumentar e diminuir o tamanho da fonte? Não tenho que me preocupar mais com viúvas? Que mundo é esse?

Se você trabalha com o inDesign, deve saber que um dos recursos dele é o “Export to Digital Editions”. E sabe o que ele faz? Ele transforma o texto que você acabou de diagramar em uma página de internet, um arquivo em HTML. Códigos e tags se misturam, e o arquivo ficou uma porcaria, nada parecido com o que você acabou de fazer. Sim, o arquivo gerado não estava adequado ao seu navegador ou ao aplicativo especial da Adobe para ler eBooks. Como é?

Imprimir um livro é, vendo desse aspecto, relativamente simples. Ele é retangular, costuma caber sem problemas em um variado tipo de mãos. Mulheres, crianças, adultos, engenheiras, donos de casa, motoristas, etc. E quando o livro é muito grande ou muito pesado, basta mantê-lo sobre uma mesa e não levar na bolsa. Já um arquivo de livro eletrônico deve ser pensado e feito levando em consideração uma série de plataformas. Desde o navegador, passando por aplicativos para computadores como aparelhos diversos como iPod, Kindles, Cool-ERs, iPads e uma série de outros que você nem conhece ou que ainda nem existem.

O desafio do ePub, formato de arquivo que está se firmando como o padrão mundial em livros eletrônicos, é produzir um arquivo que consiga ser aberto e manipulado de forma fácil e funcional em uma série de lugares. O acesso a seus recursos deverá ser rápido e simples, significando que o designer deverá realizar uma inversão na ordem do seu pensamento e da sua organização de prioridades porque, dessa vez, o CONTEÚDO É REI.

Essa é uma lição que bons webdesigners sabem há muito mais tempo do que eu e você. Para termos um bom arquivo em ePub pouco importará a cor do fundo, os grafismos no final da página, as aberturas de capítulos ou os símbolos usados embaixo dos números da página. Se você não prestar atenção e não indexar corretamente todos os títulos e subtítulos, o livro eletrônico já não terá uma de suas melhores funções funcionando, o sumário.

Ou seja, é como mandar o designer não pensar no design do livro. É maluco, mas só será assim se você não enxergar que funcionalidade, usabilidade e praticidade são formas de design. Eu caminho no meio de dois mundos, já que sou designer de interfaces por formação e deisnger de livros por paixão, e acho que posso me adaptar a isso muito mais facilmente.

Em um livro, o importante sempre foi sua beleza. Imagens, fonte, diagramação, arte. Um designer realizado é aquele que olha pro seu livro feito e vê beleza nele, em suas cores, impressão, imagens, formato, olhar. O que deve ser incorporado ao designer gráfico agora é a priorização da funcionalidade. Não importa se o livro é só texto preto no fundo branco, sem a menor possibilidade de edição de fonte ou versalete. Sua beleza e o bom serviço do designer residirão no sucesso de abertura em todos os aparelhos, no tamanho reduzido do arquivo e da ausência de problemas.

Quando pensamos em um bom site, o sucesso é exatamente pelos mesmos termos. Se os usuários não reclamaram, se conseguiram alcançar seus objetivos no site, é porque ele está bom. O resto, a arte e outras preocupações, vêm depois, bem depois. E se quando o arquivo for aberto os acentos estiverem trocados, o sumário não funcionar e as fontes não aumentarem, isso significará que você falhou, mesmo com belas imagens, uma capa linda e enfeitezinhos fofos no começo do capítulo.

É cruel, mas ninguém falou que seria fácil. E pra complicar mais ainda a vida você já sabe: vai ter que aprender a mexer em HTML e CSS. Quiçá em Javascript. Pé-de-pato-mangalô-três-vezes, mas é verdade. O deisnger bom, aquele que daqui a algum tempo terá mais oportunidades, será aquele que sabe caminhar entre os dois mundos, e que poderá facilitar a vida do produtor editorial, gastar menos dinheiro da editora e entregar DOIS trabalhos bem feitos. E lembre-se de sempre levar esses dois produtos juntos. Apesar de serem coisas totalmente diferentes, eles devem ser produzidos e planejados em conjunto, e não um após o outro.

 

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As vantagens dos eReaders (principalmente para designers)

Há alguns dias escrevi um pouco sobre eReaders e critiquei a postura apocalíptica dos que pregam o final iminente do livro. Porém, temos que admitir que algum sucesso os livros eletrônicos estão fazendo, pois não seriam tão comentados se assim não fosse.

Por isso, vou listar e comentar aqui algumas das vantagens dos eReaders como Sony Reader, Kindle, iPad, nook, Cool ER e outros, tanto para leitores como para os envolvidos na produção e venda dos livros, como nós designers.

• Muitos em um só: São muitos, muitos livros em um aparelho pequeno como um gibi, pesando pouco mais de 200 gramas, dependendo do modelo. Com memórias variando entre 1GB e 4GB é possível armazenar milhares de livros, além de poder comprar um novo instantaneamente com apenas um clique. Isso aumenta a demanda e ainda economiza papel. O leitor poderá comprar mais e logo as editoras contratarão mais designers.

• Preço: Aqui no Brasil o mercado é novo e inseguro, então nem sempre os preços vnao valer muito a pena, mas já começa a fazer diferença. Até mesmo quando pegamos como exemplo aqueles do site Domínio Público, dá pra ver que rola uma vantagem. Por mais antigo que seja um livro do Machado de Assis, você não pode entrar na livraria e levar um exemplar de graça. Já na internet, ele pode ser baixado gratuitamente. Além disso, editoras como a Gato Sabido estão investindo nos pequenos autores, permitindo então que surjam no mercado livros bem abaixo do preço das livrarias. Bom para o leitor e para o designer.

• Pequenos autores: Esses caras vão te dar dinheiro, mesmo que menos do que você esperava. Eles são autores como outros quaisquer, e merecem um bom design em seus livros, para que se tornem grandes um dia e peçam mais trabalho a você. Leitores também ganham, descobrindo novos talentos e aproveitando mais do que os blockbusters das livrarias.

• Maior demanda: Muita gente publicando, muito autor podendo publicar, preços mais baratos… isso tudo só significa uma coisa: maior demanda! Muito mais oportunidades, muito mais serviço, muitas chances de se especializar ou de começar um portfólio. Essa é um dos motivos mais importantes da chegada dos eReaders e eBooks.

• Possibilidades de criação: Um livro impresso em papel é algo estático, não se move por mais que inovemos. Em um livro digital as possibilidades começam a se abrir para os designers de livros. Imagens podem ser aumentadas, links se conectam direto com a internet, uma palavra pode ser consultada no dicionário ou na Wikipédia instantaneamente. Isso sem falar nas possibilidades do iPad, que multiplicam as criações. Veja os vídeos abaixo:


• Oportunidade de explorar a “arte invisível”: Indo pelo caminho contrário, a maioria dos livros serão aqueles bem normais mesmo, com texto e alguas imagens. Muitos clientes não vão querer pagar pelas maravilhas que os vídeos mostraram aí em cima. Então essa será uma ótima oportunidade de explorar a verdadeira razão de ser do Design de Livros: deixar o design tão transparente e invisível que ele não será notado, mas fará a leitura ser prazerosa, agradável, clara e correta. Nada deveria deixar um designer mais feliz e satisfeito do que conseguir isso.

Portanto não chore, mas comemore a chegada dos leitores de livros eletrônicos. Eles não vão fechar suas portas, vão abrir outras!

 

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Quer diagramar só livros novos? Ou inovar livros antigos?

Ah, a criatividade.

Ela aflora em todo designer, mais cedo ou mais tarde em um projeto. Leve segundos, minutos ou dias, é sempre uma das melhores partes do nosso serviço ter a ideia, pensar algo novo, algo nunca visto, algo que encha os olhos.

O designer está lá, totalmente empolgado esperando o próximo livro, o próximo novo projeto. Ideias novas surgirao, uma capa que vai chamar o leitor pra comprar o próximo best seller das livrarias, e… Machado de Assis? Como assim Brás Cubas? De novo? Esse livro que todo mundo já cansou de diagramar, rediagramar, fazer capas e até de comprar? Eca! Sai de mim! Passa pro estagiário!

Tsc tsc. Existe uma historinha que se conta por aí, sobre um vendedor que foi chamado para vender sapatos na África. Ao chegar lá, o vendedor se depara com milhares de pessoas descalças. Ele liga pro chefe: não poderei vender sapatos aqui, todos andam descalços! O chefe então envia um novo vendedor ao local. Esse, maravilhado, liga pro chefe: envie milhares de sapatos! Ninguém usa sapato aqui, vamos vender aos montes!

Machado de Assis, Fernando Pessoa, Eça de Queirós. Aqueles livrinhos que caem no vestibular da Fuvest todos os anos. Quem quer comprar aquilo? Quem ainda não leu essas obras? Muitos de nós colocam na cabeça que livros assim não valem nem entrar no portfolio depois. Compra do banco de imagens uma figura de um quadro brasileiro da época da obra, tasca um título em Arial na frente e vamos pro próximo projeto.

Temos a mania de pensar que livros velhos são velharias, são coisas que se compram nos sebos. Não vale a pena investir em algo que todos já conhecem, que todos já têm. Isso não procede! Peguem como exemplo os livros de Julio Verne, redesenhados por um cara que estava se formando em uma universidade de artes (falei sobre ele aqui). Em uma faculdade de artes, onde se deseja inovação, onde as pessoas são avaliadas por isso, o que ele fez? Ele inventou uma obra nova, onde ele poderia brincar com a capa ao seu bel prazer? Não, ele enfrentou um desafio e pegou uma coleção “batida”, que 7 entre 10 casas de pessoas que lêem possuem. E você não teria vontade de comprar esses livros? Eu teria tenho.

Um pai caminha com seu filho pela livraria. Ele já tentou dar Julio Verne para seu filho ler, mas ele achou o livro velho, imaginou que seria uma história chata, sem as emoções e efeitos especiais que temos hoje, com bruxos, vampiros e anéis. Em um dos corredores, ele vê essa coleção de livros. Seus olhos brilham. Com aquelas capas, ele imagina as incríveis aventuras que devem conter lá dentro. Pronto, livros vendidos, objetivo alcançado.

Em um post publicado no site Digital Book World eles falam sobre como limitações podem ser úteis ao designer. Às vezes, quando temos opções demais, não temos nenhuma. Quando somos brifados e “podados”, muitos ficam amoados por não poderem exercer seu “lado criativo” ao máximo, mas é aí que está o maior desafio. Como fazer Macunaíma se tornar atraente para os jovens de hoje, sedentos por novidades? Como convencer um adulto a comprar de novo os livros que ele já têm em casa?

O post fala de uma série de livros do autor Vladimir Nabokov (do clássico Lolita), que tiveram de ser redenhados. Além de um novo título que entrava, alguns outros clássicos já presentes no catálogo da editora também seriam reformulados. Além de serem clássicos, mais um obstáculo criativo: todas as capas deveriam ser feitas em uma moldura de quadro funda, remetendo à paixão de Nabokov por colecionar borboletas nesses quadros. Os designer brincaram com papéis e fontes e o resultado ficou excelente.

Palavras de John Gall, o diretor de arte que passou o trabalho: “Eu pensei que utilizar designers diferentes seria uma maneira de manter as pessoas interessadas no que estaria vindo. As pessoas param de prestar atenção depois que novos livros são lançados. Eu quis que todos  fossem importantes. Muitos redesigns acabam ficando uns sobre os outros nas pratelerias e mal são notados.”

A bela série de capas de Vladimir Nabokov pode ser vista no The Book Cover Archive, também já resenhado aqui.

 
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Publicado por em março 18, 2010 em capas, design do livro, ponto de vista

 

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Coleção Júlio Verne – Jim Tierney

O Deisgn de Livros. Muita gente reclama que é um trabalho chato, inglório, sem reconhecimento, velho e fadado ao fim. Mas quando se tem uma ótima ideia e consegue-se o alinhamento com autor e editora (tanto na arte como na verba) o resultado é de trazer lágrimas aos olhos.

O designer Jim Tierney transformou o velho e esquecido, uma coleção de livros do autor Júlio Verne, em um conjunto de livros que dá gosto manusear, ler e guardar na estante para ostentar aos conhecidos. No caso ele não precisou da negociação com a editora, já que é um trabalho de tese para sua graduação na University of Arts. Então sua criatividade não teve nenhum limite além dele próprio.

Confira o vídeo para captar os detalhes especiais (vale muito a pena. Não sei porquê, não consegui colocar o vídeo diretamente aqui):

Jules Verne cover designs by Jim Tierney from Jim Tierney on Vimeo.

Veja mais detalhes no site de Jim Tierney. Ele possui outras belas capas em seu portfólio.

Mesma e bela obra, duas capas diferentes. Qual delas você levaria para casa?

Ideia surrupiada do blog let’s blogar.

 
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Publicado por em março 5, 2010 em capas, design do livro

 

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Pequena pausa para uma curiosidade – Lombada de livros

Pegue um livro qualquer da sua estante e observe-o. Para qual lado está o texto? Virado à esquerda ou virado à direita?

Pois é, aposto que poucos de vocês já pensaram nisso alguma vez. Quando projetamos um livro, o título na lombada (quando esse existe) é uma das últimas coisas que fazemos na capa. E o que você costuma fazer? Direita ou esquerda?

E, sendo lá qual for a sua escolha, porque a fez? Fica visualmente mais bonito? Achou mais confortável aos olhos? Priorizou a prateleira ou a mesa? HEIN?

Exato. Quando você escolhe a direção para onde aponta o título, está priorizando a leitura do livro sobre uma mesa ou na prateleira. Na verdade, para mostrar como isso é mais complexo ainda, posso dizer que quando deixamos os pés da letra virados para a capa, seguimos o modelo europeu; quando do contrário, o modelo é o americano. Vejam as imagens abaixo:

americana

europeia

Crédito dos gráficos: Designers Justiceiros (http://designersjusticeiros.blogspot.com/2007/07/sobre-pan-logomarcas-e-lombadas-uma.html)

Aqui alguns exemplos aplicados:

em-pe

Você tem que entortar a cabeça para ler o “Graphis Design”, não é mesmo?

deitado

Já na mesa, ele fica bem mais simples…

Assim fica mais simples de entender, né? Veja como no modelo americano fica muito mais fácil de ler a lombada do livro com este sobre a mesa, e como fica estranho lê-lo em uma prateleira. Já no modelo europeu, percebemos que é bem mais simples ler o título na lombada quando ele está na prateleira. Pelo que eu pude notar em minha biblioteca, os brasileiros tendem a utilizar mais o modelo europeu.

Viu? Cultura rapidinha, resposta bem resolvida. Agora, fica outra pergunta: tudo isso significaria que europeus compram e colecionam mais livros, ou que americanos lêem mais? 😀

 
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Publicado por em agosto 18, 2009 em design do livro

 

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Um pouco sobre a história do livro

Hoje vamos falar um pouco sobre a história do livro. Todos nós já nascemos em um mundo onde os livros já existem há muito tempo, forrando prateleiras, figurando em filmes, vendendo em livrarias. Por isso, poucos acabam se perguntando de onde ele veio, de onde surgiu.

Esse post fará um pequeno resumo sobre a nada desimportante história do livro. Boa leitura.

O livro como o conhecemos hoje não data de muito tempo atrás. As primeiras idéias primitivas (mas não menos importantes) de livros surgiram há mais ou menos quatro mil anos atrás, na época dos egípcios. Para registrar seus documentos, largas folhas de palmeiras egípcias eram utilizadas, transformando-se depois no papiro que conhecemos hoje, que nada mais é do que o talo dessas mesmas folhas triturados, entrelaçados e secos.

Os escribas egípcios, de certa forma, já se preocupavam com o arranjo do texto na “página”, uma vez que escreviam em colunas e inseriam ilustrações em seus textos. Após terminados, os papiros eram colados uns aos outros, e eram guardados enrolados – alguns chegavam a medir 20 metros de comprimento, suuuper prático de se ler em uma viagem ou na cama.

413px-Joseph_Smith_Papyrus_Segment_IVPapiro egípcio (crédito: Wikipédia)

A substituição do papiro chegou, provavelmente, com Eumênio II, rei de Pérgamo (197-158 a.C.), na Ásia. Ele foi obrigado a pesquisar um novo tipo de base para seus documentos depois que Ptolomeu Epifânio, de Alexandria, proibiu a exportação do papiro. Surgiu então o pergaminho, ou pergamenum, a membrana pergamena. Uma pele de animal (geralmente de um carneiro) era esticada em um caixilho, seca, branqueada com giz, polida e alisada com pedra-pome.

Os pegaminhos, por serem mais resistentes do que os papiros, podiam ser dobrados com mais facilidade, aposentando a moda do documento enrolado. Daí surgiram os códices inventado pelos gregos e romanos, onde folhas eram dobradas e juntas borda com borda em uma das margens, com blocos de madeira cobertos por cera. A palavra página,usada para denominar o lado de uma folha, vem do latim pagina, ou “algo atado”.

O papel (nome derivado de papyrus em latim ou papuros, do grego) foi criado na China em data ainda não confirmada, variando entre 200 a.C. e 104 d.C., e eram confeccionados com a casca da amoreira ou com o bambu cuja polpa esmagada era transformada em fibras, espalhada sobre um tecido e deixada assim para secar.

O nome livro deriva do latim líber, enquanto o nome book data do tempo dos saxões, derivando do saxão bok, em inglês beech tree, literalmente faia, um tipo de árvore. Na época em que esse povo viveu, os domcumentos eram escritos em tábuas feitas com essa árvore.

É chinês o livro mais antigo de que se tem notícia. O Diamond Sutra é do ano de 868 d.C., e ficou escondido por muito tempo em uma caverna fechada no noroeste da China. O conteúdo, feito de textos e ilustrações, é de cunho religioso, e é considerado um dos mais importantes do documentos do Budismo.

Jingangjing

Diamond Sutra (crédito: Wikipédia)

O primeiro livro impresso com tipos móveis, a Bíblia, foi produzido por Johannes Gutenberg, alemão nascido na cidade de Mogúncia, no ano de 1455. Essa tecnologia desenvolvida por  Gutenberg derivou de seus conhecimentos em metais e de prensas utilizadas para esmagar uvas no processo de fabricação do vinho.

Gutenberg_BibleA Bíblia de Gutenberg (crédito: Wikipédia)

Porém, o uso de tipos móveis já havia sido utilizado muito tempo antes pelos asiáticos, com livros datados de 1377 pelos coreanos e impressões em blocos de madeira do século VII pelos chineses, que também já usavam os tipos para imprimir cédulas de dinheiro e cartas de baralho. Em 868 d.C. um cânone do budismo Thervada fez uso de 130 mil blocos de madeira para imprimir o livro Triptaka em xilogravura.

Bem, essa foi uma pequena parte da história do livro, que com certeza possui milhares de outros fatos que permeiam esses mais importantes que apresentei agora. Esse diminuto resumo foi baseado no livro O livro e o designer II, de Andrew Haslam.

 
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Publicado por em julho 20, 2009 em design do livro, história, o livro

 

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Site da semana – Book design review

Encontrar blogs que falem exclusivamente sobre livros e o seu design é uma tarefa complicada. Por isso eu estou aqui, com uma ajuda aos brasileiros, e caço tudo o que tiver de interessante por aí.

Acho que o site mais relevante no assunto que eu encontrei até agora é o The Book Design Review. Com posts quase diários, o BDR encontra capas interessantes de livros e coloca na web. Lançamentos, livros antigos, pré-lançamentos, sempre com alguma observação a respeito. Uma boa fonte de referências para quem precisa pensar em uma capa criativa para um livro. Através de minhas pesquisas, não descobri até agora nenhum site ou blog parecido com esse então, por enquanto, é fonte única, e bem melhor do que ficar caçando idéias em lojas online de livros. Como já citei, é em Inglês. Visite.

 

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