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Content is the king: aprendendo com webdesigners

Pode confessar: eu sei que você tem um pouco de preconceito daquele seu primo que é webdesigner. Você, como designer gráfico ou designer de livros, se acha muito mais designer por ter que pensar em coisas mais “artísticas”, em papéis, acabamentos, tintas, tons, etc. É muito mais tradicional, muito mais puro, muito mais clássico. Pouco interessa quem é o autor do texto que irá caber nas páginas perfeitas que você irá moldar. O que importa é a arte, o cheiro, o ambiente, tudo, menos o conteúdo.

Só que agora você está olhando arregalado para o trem que vem vindo em sua direção, o livro eletrônico. Ele ainda não assusta tanto assim, mas as pessoas têm falado dele mais do que você gostaria. E, de repente, a cadeira em que você está sentado parece um pouco desconfortável. O desconhecido assusta todo mundo, e você não sabe bem o que é um livro eletrônico e nem como ele é produzido. Como assim um mesmo arquivo de livro tem que caber em uma tela colorida de toque com 3 polegadas e em uma preta e branca, fosca, de 6 polegadas? Não existe rodapé? Podemos aumentar e diminuir o tamanho da fonte? Não tenho que me preocupar mais com viúvas? Que mundo é esse?

Se você trabalha com o inDesign, deve saber que um dos recursos dele é o “Export to Digital Editions”. E sabe o que ele faz? Ele transforma o texto que você acabou de diagramar em uma página de internet, um arquivo em HTML. Códigos e tags se misturam, e o arquivo ficou uma porcaria, nada parecido com o que você acabou de fazer. Sim, o arquivo gerado não estava adequado ao seu navegador ou ao aplicativo especial da Adobe para ler eBooks. Como é?

Imprimir um livro é, vendo desse aspecto, relativamente simples. Ele é retangular, costuma caber sem problemas em um variado tipo de mãos. Mulheres, crianças, adultos, engenheiras, donos de casa, motoristas, etc. E quando o livro é muito grande ou muito pesado, basta mantê-lo sobre uma mesa e não levar na bolsa. Já um arquivo de livro eletrônico deve ser pensado e feito levando em consideração uma série de plataformas. Desde o navegador, passando por aplicativos para computadores como aparelhos diversos como iPod, Kindles, Cool-ERs, iPads e uma série de outros que você nem conhece ou que ainda nem existem.

O desafio do ePub, formato de arquivo que está se firmando como o padrão mundial em livros eletrônicos, é produzir um arquivo que consiga ser aberto e manipulado de forma fácil e funcional em uma série de lugares. O acesso a seus recursos deverá ser rápido e simples, significando que o designer deverá realizar uma inversão na ordem do seu pensamento e da sua organização de prioridades porque, dessa vez, o CONTEÚDO É REI.

Essa é uma lição que bons webdesigners sabem há muito mais tempo do que eu e você. Para termos um bom arquivo em ePub pouco importará a cor do fundo, os grafismos no final da página, as aberturas de capítulos ou os símbolos usados embaixo dos números da página. Se você não prestar atenção e não indexar corretamente todos os títulos e subtítulos, o livro eletrônico já não terá uma de suas melhores funções funcionando, o sumário.

Ou seja, é como mandar o designer não pensar no design do livro. É maluco, mas só será assim se você não enxergar que funcionalidade, usabilidade e praticidade são formas de design. Eu caminho no meio de dois mundos, já que sou designer de interfaces por formação e deisnger de livros por paixão, e acho que posso me adaptar a isso muito mais facilmente.

Em um livro, o importante sempre foi sua beleza. Imagens, fonte, diagramação, arte. Um designer realizado é aquele que olha pro seu livro feito e vê beleza nele, em suas cores, impressão, imagens, formato, olhar. O que deve ser incorporado ao designer gráfico agora é a priorização da funcionalidade. Não importa se o livro é só texto preto no fundo branco, sem a menor possibilidade de edição de fonte ou versalete. Sua beleza e o bom serviço do designer residirão no sucesso de abertura em todos os aparelhos, no tamanho reduzido do arquivo e da ausência de problemas.

Quando pensamos em um bom site, o sucesso é exatamente pelos mesmos termos. Se os usuários não reclamaram, se conseguiram alcançar seus objetivos no site, é porque ele está bom. O resto, a arte e outras preocupações, vêm depois, bem depois. E se quando o arquivo for aberto os acentos estiverem trocados, o sumário não funcionar e as fontes não aumentarem, isso significará que você falhou, mesmo com belas imagens, uma capa linda e enfeitezinhos fofos no começo do capítulo.

É cruel, mas ninguém falou que seria fácil. E pra complicar mais ainda a vida você já sabe: vai ter que aprender a mexer em HTML e CSS. Quiçá em Javascript. Pé-de-pato-mangalô-três-vezes, mas é verdade. O deisnger bom, aquele que daqui a algum tempo terá mais oportunidades, será aquele que sabe caminhar entre os dois mundos, e que poderá facilitar a vida do produtor editorial, gastar menos dinheiro da editora e entregar DOIS trabalhos bem feitos. E lembre-se de sempre levar esses dois produtos juntos. Apesar de serem coisas totalmente diferentes, eles devem ser produzidos e planejados em conjunto, e não um após o outro.

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Os livros eletrônicos no workflow de uma editora

Já está sendo tudo um tanto quanto assustador para todos os envolvidos no processo de produção de um livro: editores, editoras, designers, produtores editoriais, autores, revisores, enfim, toda a equipe. O livro eletrônico chegou há anos, e agora parece estar querendo comer um enorme pedaço do mercado do livro de papel.

Eu já disse aqui muitas vezes, e repito: não será tão cedo que as editoras se sentirão fatalmente ameaçadas pelo livro eletrônico, mas não custa nada começar a analisar as mudanças que esse novo produto irá trazer ao workflow da produção de um livro, já que ter esse produto em sua “prateleira” é sinal de modernização e acompanhamento de tendências.

• Inserir ou não o livro eletrônico junto ao worflow do livro comum? Bem, uma hora dessas isso terá que ser feito. Andar em separado com esses dois produtos vai significar um desastre. Infelizmente, isso deve significar mais trabalho para o produtos editorial, mas boas editoras com certeza deverão ter profissionais especializados para o acompanhamento e a checagem desse novo produto em seu catálogo.

Não é esperto separar o eBook do workflow normal do livro porque você pode acabar com dois arquivos diferentes, com padrões diferentes e conteúdo diferente. Nem todos os padrões de um livro físico serão levados ao eBook e vice-versa, mas alguns deles deverão ser mantidos, assim como certos conteúdos que deverão estar presentes em ambos os arquivos.

• Quantos formatos? Quem pensa em eBook e é do ramo editorial logo pensa em PDF. E que fácil seria se eBooks fossem apenas PDFs, já que bastariam apenas pequenos ajustes após enviar o arquivo final à gráfica. Mas não é bem assim. PDFs funcionam bem em computadores, netbooks e até no iPad, mas quando falamos de leitores específicos de eBooks, estamos falando de ePub, Mobi, PRC, AZW e outros enigmas para designers gráficos e produtores editoriais. É, vai dar dor de cabeça por um tempo, mas será totalmente necessário para a editora se adequar a esse novo glossário. Além desses, também podemos considerar os formatos TXT, RTF, DOC, entre muitos outros… de repente, o que era só UM livro, passa a ser vários.

Existem softwares que podem transformar livros e textos nesses formatos em questão de segundos. Entretanto, você confiaria em alguém que fecha um livro transformando um DOC em PDF e enviando à gráfica? Não, né? Então ficar “transformando” livros em diversos formatos apenas com a ajuda de softwares não é uma boa ideia. Talvez isso demande a contratação de gente nova.

• Novos freelancers? Daí vem a grande dúvida. A editora mantém os atuais designers de livros e diagramadores que possui ou passa a acreditar no novo formato? Sim, porque para fazer eBooks, não é preciso manjar de tipos de papel, tinta e gráfica. Será necessário entender, principalmente, de XHTML, e também de CSS, Javascript, entre outras coisas que arregalam os olhos de pessoas que passaram anos e anos mexendo com nanquim, Pagemaker e agora inDesign.

Caberá à editora a inclusão desse novo profissional em seu workflow. E isso irá significar que o editor de arte e o produtor editorial terão que ter noções desses novos formatos para saber se está tudo andando nos conformes. Se for apenas um PDF até que passa, já que arquivo fechado que é enviado pra gráfica quase sempre vai nesse formato. Mas e o ePub? Quem vai checar se os padrões estão corretos, se o código está correto? Isso é grego para a maior parte das pessoas que trabalham em uma editora, que muitas vezes procuram trabalhos como esse justamente porque escolheram nunca ter que lidar com códigos, programação e internet… se esses dois profissionais fizerem um curso sobre XHTML e algum especializado em eBooks ao menos, todos os problemas tendem a diminuir. Mas, talvez seja necessário contratar alguém que entenda desse dobrado.

O QUE FAZER?

Às editoras, a melhor alternativa é passar a desenvolver, além de seus livros de papel, versões em PDF e principalmente em ePub de seus livros. Os custos finais dessa produção não serão tão maiores do que já são, e não há nada a perder. Os formatos estarão lá, disponíveis para quem quiser. E se não quiserem, podem comprar seus livros de papel normalmente em livrarias ou pela internet. Ah, ter um site bem feito, com loja virtual funcional, também será uma boa escolha.

Aos designers e outros relacionados à produção, a melhor alternativa é parar de tremer e ir atrás. Está mais do que na hora de apostar em novas habilidades e aprender a desenvolver ePubs de qualidade que atendam ao maior número possível de aparelhos eletrônicos. Não é tão difícil quanto você imagina, e você poderá continuar fazendo seus maravilhosos livros de papel. Possuir um pé de cada lado, inclusive, deverá garantir muito mais trabalho do que você pensa.

>> Portanto, prepare-se para entrar no mundo do código, seja você editor, produtor, designer, diagramador, freelancer, etc. Se você quer acompanhar o mercado e a evolução natural das coisas, deve saber que estar preparado para tudo é o que vale.

 

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