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Estante eletrônica facilita coleção de livros

25 ago

ANA PAULA PASCOALETTO

Do Rudge Ramos Jornal*

Estante eletrônica facilita coleção de livros
Um dos primeiros e-readers a chegar ao Brasil foi o Kindle, da Amazon
Foto: Ana Paula Pascoaletto/RRJ

Mil trezentos e trinta e três. Esse é o número de livros que o consultor de TI (tecnologia da informação) Yuri Sá, 28, tem em sua biblioteca virtual. Ele começou sua coleção quando entrou na faculdade de engenharia, em 2001.

Yuri, que sempre gostou de ler, se desfez de uma coleção de mais de mil livros impressos, para ter tudo em e-books. Ele só guardou os títulos que tinham algum significado especial.

Naquela época, ainda não existiam tablets e smartphones. Esse tipo de plataforma de leitura começou a ganhar mais espaço no país somente em 2009, com a chegada do e-reader da Amazon, o Kindle.

Um e-reader tem algumas diferenças em relação a um tablet, como o iPad. O primeiro é, essencialmente, um dispositivo para armazenar e consumir e-books (versões digitalizadas de livros). O tablet é um computador. Tem todas as funções de um PC ou notebook, só que em versão menor e em formato de “prancheta”.

Além de executar tudo o que um computador maior faz, os tablets têm garantido espaço para o mercado de e-books, pois a leitura em tela colorida, coisa que o e-reader da Amazon não possui, se torna mais prática.

Antes do lançamento do Kindle no Brasil, Yuri digitalizava trechos dos seus livros de cálculo da faculdade de engenharia e os armazenava em um Palm M100, a tecnologia disponível 10 anos atrás. “Desde então venho trabalhando com e-books. Eu sempre gostei muito de ler, inclusive por viajar e estudar fora, mas era muito ruim carregar os livros. Já cheguei a viajar sem nada para ler só porque não tinha como carregar.”

Em 2004, com a chegada dos smartphones, ele trocou o Palm pelo aparelho telefônico. Em 2009, Yuri adquiriu um Kindle, mas não se adaptou bem ao aparelho. “O Kindle é muito limitado, ele não faz mais coisas além de ler livro. Então, me desfiz do meu notebook só para poder comprar um iPad”, contou.

Yuri acredita tanto no potencial dos e-books, que fundou uma editora digital, a Sa2. Criada em julho de 2010 e idealizada por seu pai, Lucas Roberto de Sá, a editora tem como público alvo os acadêmicos. Uma de suas missões é não fazer nada de papel, até mesmo os contratos são assinados virtualmente.

Apesar de ser um mercado emergente, ainda não existem muitas pessoas como esse consultor de TI, que há mais de um ano não compra livros impressos.  De acordo com o coordenador da equipe de e-books da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, Mauro Widman, ainda vai demorar para que os livros impressos percam espaço. “A procura por livros digitais está grande, a cada dois meses os nossos números de vendas praticamente dobram, mas em relação ao faturamento global da empresa ainda não é muito significativo, pois não chega a 1% do total.”

Outro exemplo de que o mercado de livros digitais ainda é pequeno no Brasil é o número de publicações disponíveis para compra. Na livrara Saraiva, por exemplo, estão disponíveis cerca de 200 mil títulos estrangeiros, enquanto apenas 2.500 são nacionais. O diretor de produtos digitais da Saraiva, Deric Degasperi Guilhen, também não acredita que o mercado editorial será dominado pelos e-books. “Apesar disso, o mercado de e-books é um futuro certo. Isso significa dizer que sua representatividade econômica continuará crescendo por um bom tempo.”

No Brasil, são vendidos em média 300 milhões de exemplares de livros impressos anualmente (pesquisa Fipe-Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, de 2009), o que mostra que muitos leitores ainda não conseguiram abandonar por completo essas edições. A designer de livros Stella Rodrigues, 25, tem pouco mais de 300 livros digitais, mas ainda prefere o papel. “Não há nada que substitua o cheiro
do papel ou o peso do livro. No ônibus também é mais seguro. Eu acho bem difícil tirar o Kindle da bolsa e ler normalmente.”

Em questão de segurança, poucas pessoas se sentem confortáveis para andar com seus e-readers e tablets pelas ruas, mas o objetivo do consumo de e-books é a praticidade. Sobre valores, as edições vendidas em livrarias nacionais ainda têm o preço um pouco alto, o que vai contra outro princípio das edições digitais, que é a economia. Stella, por exemplo, adquiriu um Kindle porque sente necessidade de trocar o livro de papel pela versão digital. “Às vezes troco porque eu não tenho acesso ao livro, porque ele é antigo ou difícil de achar, ou simplesmente porque o papel é muito caro”, concluiu.

* Notícia originalmente publicada no Rudge Ramos online.

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2 Comentários

Publicado por em agosto 25, 2011 em eventos, gente, livro eletrônico (ebook)

 

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2 Respostas para “Estante eletrônica facilita coleção de livros

  1. Gustavo B. Ludwig

    agosto 25, 2011 at 17:15

    Realmente, uma das vantagens dos leitores para mim é a possibilidade de levar centenas de livros ao mesmo tempo.

    Quanto à observação feita por Yuri, no sentido de que “o Kindle é muito limitado, ele não faz mais coisas além de ler livro”, me parece equivocada. O kindle foi feito apenas para ler livros, e isso é ótimo, pois hoje vivemos na era das distrações, toda hora se quer ver algo na Net, ler o twitter e etc. O Kindle te mantém focado apenas na leitura. Essa não é uma desvantagem, pelo contrário, é a maior vantagem do Kindle para mim.

     
  2. martinhamr

    agosto 26, 2011 at 17:46

    Gostei muito da matéria, só discordei também sobre a citação do Yuri do Kindle ser limitado assim como o Gustavo falou, o Kindle foi a maior aquisição que tive desde o ano passado e aumentei muito o tempo de leitura com o Kindle. Já li no Ipad da minha irmã, e no Galaxy da minha mãe e os dois cansaram muito a minha vista, em questão de leitura para mim por enquanto ninguém substitui o Kindle.

     

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