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Apple iPad X Amazon Kindle

13 abr

Apesar de tosca, era óbvio que essa comparação ia ser questionada mais hora menos hora. Com o lançamento do iPad, todos puderam botar a mão no bichinho e começar a falar: “Não tem comparação, a tela do iPad é colorida, parece um livro!”, ou “O Kindle é sem graça, só dá pra ler livros, o browser é um lixo”.

Ai, ai, gente que não aprende. Comparar o Kindle com o iPad é a mesma coisa que comparar um GPS com um smartphone com GPS. Um deles é um produto específico para uma ação específica. O outro é um aparelho que executa múltiplas funções. Cada um feito para o que deve fazer.

iPad – iBooks

O iPad não é um leitor de livros “mais completinho”. A possibilidade de leitura de livros é só uma de suas funções, coisa que dá pra fazer (mesmo que de forma mais tosca) em celulares e até no meu Palm ancião – já li muitos livros nesses dois aparelhos. Com o iPad você acessa a internet, lê livros, assiste a vídeos, se diverte com joguinhos, lê e responde emails, gerencia seus projetos… enfim, é tudo e mais um pouco que o iPhone já podia fazer.

Eu estive com um iPad na mão e corri para checar o iBooks, aplicativo da Apple para o iPad onde você pode ler livros. Ele é impressionante e lindo. Parece que você está vendo um livro perfeitinho, em 3D mágico. O texto no formato ePub é mostrado em um livro o qual se pode ver uma ou duas páginas de uma só vez. O papel é envelhecido, e para mudar de página basta tocar a arrastar o dedo no cantinho da página, que nem em um livro físico. Essa ação faz com que a página se mova com uma animação, dando para ver a página de baixo enquanto viramos a de cima. É lindo, dá vontade de ler tudo o que há no mundo nele.

Porém, não dá pra ler tudo o que há no mundo nele por dois pontos. Primeiro, e menos relevante, é o fato de que a biblioteca da Apple ainda possui apenas 60 mil títulos, versus os 388 mil da Amazon. Isso não é muito relevante porque sabemos bem que logo a Apple irá ter milhaaaaaares, senão milhões de títulos em sua loja. Uma vantagem técnica é adoção do ePub pela Apple, formato considerado mais popular e padrão, que o Kindle ignora.

Mas o mais importante é notarmos do que é feito o iPad. Sua tela de LCD incorre no mesmo problema que o monitor que utilizamos em casa ou no trabalho. Ele é luminoso e dá dor de cabeça quando olhamos demais para ele, e principalmente quando lemos algo muito comprido nele.

Mas isso não é um erro da Apple, justamente porque o iPad não é um eReader.

Kindle

Meu Kindle (crédito: Stella Dauer)

Ele é em preto e branco, não dá pra ler nele no escuro, não entra na internet (ou se entra, entra super mal e porcamente), não tem joguinhos, não dá pra ver vídeos e não tem milhões de aplicativos para baixar nele. Parece até um livro, né? Bingo!

Está aí a diferença que você precisa saber antes de apontar o dedo na cara do Kindle. O bichinho foi feito única e exclusivamente para uma leitura confortável de livros, ponto. O fato dele tocar música, possuir uma loja online disponível em qualquer lugar que você vá e um navegador que quebra um galho em emergências extremas já é considerado extra, além do que ele se propõe a oferecer. Sua tela de E-Ink é perfeita para ler livros, já que não possui iluminação própria e se assemelha muito ao papel.

Mais uma coisa. No iBooks não é possível fazer anotações no meio do livro, apenas grifar trechos importantes. Para quem é do meio acadêmico, isso soará como uma falha grosseira. O Kindle também é apresentado como plataforma, enquanto que o iBooks é apenas um aplicativo para o iPad. Você pode baixar o Kindle para o Mac, PC, BlackBerry, iPhone e até para iPad, significando que você pode ler um livro até um trecho no PC e continuar lendo no iPhone quando estiver no ônibus, graças ao serviço Whispersync da Amazon.

Ainda nas vantagens sua bateria dura muito, é mais leve, menorzinho e mais discreto. Como um livro deve ser. Não há como exigir mais do Kindle porque ele não é mais do que um leitor de livros. Justamente por isso um Kindle custa US$259 e um iPad custa US$499. Simples.

E para os designers?

Mas afinal, o que significa tudo isso para os Designers de Livros? Não muita coisa. Tanto o iPad quanto o Kindle não dão muita liberdade de criação ao designer. Os formatos ePub e Mobi (usado no Kindle) só permitem a edição do livro na parte do texto, deixando o visual para a telinha em preto e branco do Kindle ou para a simulação de livro do iPad. O que importa ao Designer de Livros que está interessado nesse mercado é dominar a publicação de eBooks em ambos os formatos, para poder trabalhar com os dois aparelhos.

Inclusive, essa é uma ótima oportunidade para o Designer de Livros mostrar a que veio. Conhecida como “a arte invisível”, o Design de Livros é o ato de deixar a interface o mais transparente possível e tornar a leitura agradável e clara. Ter tantas restrições de criação ajudará o designer a pensar melhor no que realmente interessa em um livro.

Conclusão

Portanto, se você quer um leitor de livros com fru frus, pra fazer sucesso entre os amigos, escutar música, jogar e muitas outras coisas, vá atrás de um iPad. Agora se você quer gastar menos e quer apenas apreciar um bom livro enquanto toma um chá ou anda de metrô (se você tiver coragem), um Kindle resolve seu problema. A Apple é especialista em criar necessidades que antes não existiam, a Amazon apenas criou uma solução para um problema.

Quem vai “ganhar essa guerra”? Não pergunte pra mim, sou Designer de Livros, não futuróloga.

Caso queira ler mais a respeito (em Inglês), leia os artigos da PC World, da ReadWriteWeb, do DearAuthor e do digital Book World.

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4 Respostas para “Apple iPad X Amazon Kindle

  1. Edu R.

    abril 13, 2010 at 9:01

    Realmente a diferença é significativa, talvez porque sejam realmente produtos diferentes para necessidades diferentes. Mas é inegável que vieram pra ficar e mudar a forma de se relacionar com a informação escrita. Não significa que o suporte papel para o livro morreu, apenas que alguns livros são adquiridos para serem lidos uma única vez e não merecem o status de jóia em sua estante. A natureza e a necessidade de espaço agradecem. Parabéns pelo trabalho.

     
  2. Reinaldo

    julho 21, 2010 at 16:46

    Gostei do texto. Claro e objetivo.

    Você mora no Brasil?

    Estou começando a aprende o desenho de livros.

     
  3. cyberkimy

    julho 22, 2010 at 14:05

    Eu tenho mania de ler livros no celular. Já li “zilhares” dessa forma, mas todos eram leituras de entretenimento. Quando preciso ler algum livro para a faculdade, aí eu vou no de papel mesmo. E prefiro comprá-los a pegar emprestado na biblioteca, pois quando o livro é meu eu posso rabiscar, anotar, grifar, marcar, etc. Não me olhem torto, só consigo estudar assim: destruindo o livro.

     
  4. Sandro Alves

    setembro 2, 2011 at 14:25

    Muito bom seu texto!
    Excelente Perspectiva e Comparação!
    Parabéns!

     

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