RSS

O fim do livro como o conhecemos?

27 fev

A polêmica é grande. Esperei muito tempo para escrever esse artigo porque resolvi acompanhar mais alguns meses o mercado dos livros em geral para ver qual era o motivo de tanto alarde e se isso era mesmo necessário.

Assim como o título desse post, acho que quem publica matérias denominadas “O fim do livro impresso” é exagerado. Quando falam “O fim do livro” em geral então, está sendo desnecessariamente apocalíptico.

A Superinteressante é uma revista que eu acompanho e aprecio muito. Assino ela há anos, adoro as reformulações no projeto gráfico e devoro o conteúdo quando chega a minha em casa. Porém, na edição de março ela repetiu a matéria que tinha feito em setembro de 2009, apenas um pouco menor. As duas continham um título parecido com o meu: “O futuro (e o fim?) do livro” e “O fim do livro de papel”.

Mesmo concordando em algumas partes (que serão comentadas em breve) os textos caem em exageros. Dizer que o livro impresso é o próximo da lista nos substitutos, depois do CD e do DVD, por exemplo. Não acho, uma vez que is padrões para um eReader ainda não estão deifinidos, estão sendo lançados dezenas de modelos sem qualquer inovação e o mercado não está decolando como esperavam.

Aqui em nosso país, por exemplo. Uma pesquisa recente da Fecomércio mostrou que 60% das pessoas admitiram não ter o habito da leitura. Em 2008 liam-se 4,7 livros por ano aproximadamente em nosso país. Uma outra pesquisa revelou que o segundo maior motivo para o brasileiro não ler (depois apenas de falta de hábito familiar) é o seu preço. Imagine quantas pessoas irão gastar mais de 1000 reais em um Kindle ou 750 no Cool-er da Gato Sabido? Em um país cujo gasto com livros é de pouco mais de 200 reais na média, porquê alguém gastaria tanto em um gadget que terá uma nova versão e terá que ser descartado no ano que vem?

Falar que estamos no fim do livro como o conhecemos é frase para impressionar. Uma nota publicada no site Digital Book World fala a respeito da real quantidade de Kindles vendida pela Amazon. Os números são meio que secretos e imprecisos, mas uma pesquisa aponta que nos EUA apenas 2% da população que compra livros possui um Kindle. Mesmo sendo a população dos EUA do tamanho que é esse não é um número lá muito expressivo.

Não estou dizendo que o império dos livros impressos nunca vai cair. As coisas se renovam, o mundo continua a girar. Porém, ainda não creio que seja com os eReaders que iremos abandonar os livros de papel. Há de se pensar em maneiras melhores, mais revolucionárias e mais práticas de se ler um livro. Em um mundo convergente em que fazemos quase tudo em um só aparelho, são poucas as pessoas que querem carregar consigo um eReader, uma máquina fotográfica, um telefonem, um PDA. Todo mundo quer tudo em um único só aparelho para gastar menos e carregar menos coisas. Nessa mesma pesquisa que cito acima 47% dos americanos disseram preferir o PC para ler livros contra 32% que preferem o Kindle.

Daí vem o argumento sensato da última matéria da Superinteressante.Todos se impressionaram com o iPad, disseram ser o Kindle killer. O Kindle não tem todas as coisas legais e tela colorida do iPad, e o iPad não tem a tecnologia E-Ink que torna a leitura menos cansativa do que o LCD. Isso mostra que as empresas ainda não acertaram a mão. A solução é ir tentando, mas creio que a resposta não esteja em um eReader, e sim a um passo além. Já estudam telas de E-Ink coloridas e isso é muito bom, falta apenas a convergência.

Entretanto, acho que o mercado de eReaders ainda vai subir muito. Não deve abalar muito o mercado convencional de livros, mas vai abocanhar uma boa parcela da população. Aqueles que gostam de novidades, aqueles que querem seguir as tendências tecnológicas, aqueles que compram muitos livros e os que querem experimentar (acho que me encaixo em todas as opções).

Por isso, seja você designer, editor, escritor, prepare-se. Aliás, para os designer isso é só o começo de ótimas oportunidades. Não perca seu lugar ao sol no mundo dos livros eletrônicos e invista nesse mercado. Eu vou me garantir também e a apartir de agora devo falar um pouco mais sobre isso para que meus leitores fiquem informados também.

Anúncios
 

Tags: , , , , , , , , , ,

2 Respostas para “O fim do livro como o conhecemos?

  1. Marcelo Fernandes

    maio 6, 2010 at 14:25

    Oi Stella.

    Você não acha que os livros digitais vão caminhar para o mesmo rumo dos jornais?

    Quando a Internet começou a se tornar necessidade absoluta, todos diziam que a leitura das notícias na internet, assinaturas de revistas eletrônicas e sites de noticiário, iriam substituir por completo os jornais impressos.

    Pode ser que tenha reduzido bastante o número de pessoas que compram jornais impressos, mas não foram extintos, continuam firmes e vemos até novos jornais impressos sendo lançados atualmente.

    Me parece que acontecerá a mesma história com os livros impressos que conhecemos, não acha?

     
    • Stella Dauer

      junho 3, 2010 at 8:52

      Acho até que os livros impressos vão durar bem mais no mercado do que os jornais.

      Algumas empresas já sofrem com a queda de vendas dos jornais, mas isso ocorre porque a internet substituiu otimamente os jornais em matéria de notícia fresquinha.

      Quem lê livro e gosta muito disso concorda em uníssono que não há ainda nada igual a pegar um livro na mão, sentir o seu cheiro e aproveitar uma boa leitura.

      Kindles, iPads, eReaders… são todos muito bons e muito legais, mas ainda não conseguiram substituir o ato de ler um livro, apenas o de ler.

       

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: