Quantas vezes por dia não vemos aqueles cartazes coloridos misturados à sujeira e ao barulho da cidade? Shows de funk, de pagode, de mulheres dançarinas… vemos de todos os tipos, e são tantos que quase já não são mais vistos. Alguns dizem que enfeiam a cidade, já suja e saturada e poluição. Outros tratam o lambe-lambe como expressão de arte, e até colecionam exemplares.
Você já parou para imaginar de onde vêm esses lambe-lambes? Quem faz isso? São peças que parecem ter parado no tempo, que ainda utilizam a mesma tipografia de tantos anos atrás. Apesar dos assuntos que retratam terem se adaptado ao nosso tempo, o papel colorido e fino, a tinta bicolor e as grandes letras esticadas parecem pertencer a todas as épocas.
O vídeo abaixo mostra isso e muito mais sobre esses cartazes. A Gráfica Fidalga fica em São Paulo, e produz pôsteres em uma impressora alemã de 1929, que utiliza letras de madeira entalhadas. Chamado de “lambe lambe,” o fino papel usado nos pôsteres é colado com cola de arroz. Graças à Galeria Choque Cultural, que regularmente produz pôsteres para suas exposições com a Gráfica Fidalga, eles conseguem sobreviver, mas ainda precisam de ajuda. Caso esteja interessado, contate o diretor da galeria Eduardo Saretta.
Aposto que, depois de assistir ao vídeo, os lambe-lambes passaram a ter valor sentimental para você. Depois de perceber o amor com que são feitos, a paixão que é dosada em sua produção, e da história de vida de seus produtores, não há como não olhar pra um deles agora e não dar um pequeno sorriso.
Em um mundo aonde as coisas são tratadas com indiferença, aonde gráficas gigantes e mecanizadas produzem milhões de peças por dia, existem três caras que amam o que fazem, que passaram a vida inteira se dedicando a isso, e que “sentem a dor” da máquina quando ela tem um problema. Não precisamos todos fazer isso, mas dá um gostinho a mais na profissão ver outras pessoas que também gostam de artes gráficas a esse ponto.
Para quem acha que isso não teve nada a ver com Design de Livros, sugiro apreciarem a capa do ótimo volume e referência “Pensar com tipos”, de Ellen Lupton. São quatro tipos de capa, todas impressas em impressoras de lambe-lambe. Uma ótima idéia, com um acabamento alternativo e bonito. Confira terechos dele aqui.

Créditos: Mural CDesign
Em tempo: Caso você também aprecie essa arte neglicenciada, recomendo uma noite no bar Exquisito!. Lá, além do ambiente diferente e da comida boa, é possível ver paredes forradas dos mais diversos lambe-lambes, das mais diversas épocas, além de cartazes antigos do nosso cinema nacional.
A dica do vídeo que inspirou esse post é do Rodrigo Bruno.



Adorei o vídeo…Realmente ele nos faz ver o lambe-lambe com outros olhos. Tenho esse livro e nem sabia que tinham outras capas (T_T). Mas assim como a capa ele é muito bom.
Parabéns pelo post!
Bjs
Eu não sou a favor de preservar tradições que atrasam a evolução tecnológica e dificultam a vida das pessoas. Mas não posso negar que esses cartazes possuem um alto valor cultural que deve ser considerado e, dependendo do contexto, são muito bonitos (como nas capas do livro). O amor que os funcionários têm pelo trabalho é emocionante. Parabéns pelo post! [2]
Não conhecia este video, achei o máximo! Todo tipo de arte é válido, sou consciente de que isso pode gerar um lixo enorme, afinal quando os papéis descolam fica toda aquela bagunça e até mesmo os muros ou paredes ficam feios, mas continuou achando incrivel este tipo de trabalho.
Ola Gente,
Moro em Paris, sou produtor de evento s eachei fantastica a historia desse pessoal, isso faz parte da identidade visual de Sao Pulo, é besteira negar.
Se alguem puder me passar o telefone deles, ja agradeço desde ja, vou virar cliente!